A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento na morte de três pacientes internados na UTI de um hospital particular em Taguatinga. Os crimes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e chocaram familiares, profissionais de saúde e a população do DF.
As vítimas são a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, e dois servidores públicos: João Clemente Pereira, de 65 anos, e Marcos Moreira, de 33. De acordo com as investigações, os três estavam internados em leitos próximos e foram atendidos pelo mesmo técnico de enfermagem, apontado como o principal suspeito.


Segundo a Polícia Civil, o técnico aplicou altas doses de um medicamento sem a devida diluição, o que provocava parada cardíaca quase imediata, em um intervalo de 10 a 15 segundos após a injeção. A investigação revelou ainda que ele contou com o apoio de outras duas técnicas de enfermagem para a execução dos crimes.
Para ter acesso ao medicamento, o suspeito se aproveitou de falhas no sistema do hospital, que permanecia aberto nas contas de dois médicos, e emitiu receitas falsas. Conforme detalhou o delegado Wisllei Salomão, o técnico retirava o remédio na farmácia, manipulava a substância, guardava no jaleco e aplicava diretamente na veia dos pacientes. As seringas, segundo a polícia, eram descartadas de forma irregular, no lixo comum, numa tentativa de ocultar provas.
Ainda de acordo com a investigação, a professora Miranilde chegou a resistir a seis paradas cardíacas após receber quatro doses do medicamento. Diante disso, o técnico teria injetado 13 seringas com desinfetante diretamente na veia da vítima, agravando a situação até o óbito.
Para tentar despistar suspeitas, o profissional realizava manobras de massagem cardíaca nas vítimas logo após as paradas, simulando tentativas de reanimação.
Em nota oficial, o Hospital Anchieta informou que, ao identificar situações atípicas na UTI, instaurou por iniciativa própria um comitê interno de análise e conduziu uma investigação rigorosa. Em menos de 20 dias, segundo a instituição, foram encontradas evidências que levaram à identificação dos técnicos envolvidos, que foram imediatamente demitidos.
Os três suspeitos foram presos na semana passada. Inicialmente, negaram participação nos crimes, mas dois deles confessaram após serem confrontados com imagens do circuito interno de segurança do hospital. A polícia não divulgou os nomes dos presos. As imagens da prisão, divulgadas nesta segunda-feira (19), tiveram os rostos borrados.
As investigações continuam para apurar a motivação dos crimes e verificar se há outros casos semelhantes, tanto no mesmo hospital quanto em outras unidades de saúde onde os suspeitos possam ter atuado. A polícia descartou a hipótese de que as mortes tenham ocorrido a pedido das vítimas ou de familiares.
Familiares de João Clemente afirmam que ele não tinha histórico de problemas cardíacos, o que inicialmente levantou suspeitas de erro médico, nunca de um crime premeditado. A filha da vítima, Valéria Leal Pereira, relatou o impacto da descoberta.
“A gente confia que as pessoas que estudam para isso vão estar ali para cuidar. A gente achou que ele estava sendo cuidado. Ter uma notícia dessa deixou a gente muito abalado. Já estávamos lidando com a perda do meu pai, que foi algo repentino, e saber que foi dessa forma torna tudo ainda mais difícil”, desabafou.
O caso segue sob investigação e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias.
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