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Avó de crianças desaparecidas há 52 dias em Bacabal relata sofrimento e mantém esperança
Por Henrique Sampaio
Publicado em 26/02/2026 07:26
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A angústia da família de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completa 52 dias sem respostas no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Desde o desaparecimento dos irmãos, em 4 de janeiro, a avó, Francisca Cardoso, enfrenta não apenas a dor emocional, mas também impactos diretos na própria saúde.

Em entrevista ao repórter Randyson Laércio, divulgada nesta quarta-feira (25), Francisca relatou que tem sofrido com pressão alta, dores de cabeça constantes e dificuldade para se alimentar. “Passa muita coisa na minha cabeça. Passam coisas boas, passam coisas ruins. Ainda passam coisas boas porque não foram encontrados na mata”, afirmou.

Apesar do desgaste físico e psicológico, ela diz manter a fé de que os netos estão vivos. “Eu creio no meu coração e na minha mente que eles estão vivos, com alguém. Eu tenho muita fé em Deus que eles vão ser encontrados”, declarou.

Apelo por denúncias

A avó também fez um apelo emocionado à população para que qualquer informação seja repassada às autoridades. “Peço, pelo amor de Deus, que se alguém ver [Ágatha Isabelly e Allan Michael] não tenha medo de denunciar. O que nós mais queremos é achar eles. A gente não vê a hora de abraçar eles.”

As crianças desapareceram após saírem de casa acompanhadas do primo, Anderson Kauan, de 8 anos, com a intenção de procurar um pé de maracujá na mata. Quatro dias depois, o menino foi encontrado sozinho, a cerca de quatro quilômetros da comunidade.

Buscas intensivas

Uma força-tarefa com mais de 260 agentes já percorreu aproximadamente 200 quilômetros de mata fechada, além de áreas do Rio Mearim, lagos e regiões alagadas próximas à comunidade. As operações contaram com cães farejadores, drones e helicópteros.

Francisca reconhece o empenho das equipes de busca. “Até agora nenhuma informação. Não é falta de procura. Nunca ficou gente sem procurar as crianças. Todos os dias eles estão na busca”, ressaltou.

Suspeita de sequestro

Para a família, o fato de nenhum vestígio ter sido localizado após quase dois meses reforça a hipótese de que as crianças possam ter sido levadas por terceiros. “Do jeito que fizeram essa busca nessa mata todinha, com cachorro, com drone, com helicóptero... Como teve esse tanto de gente procurando, eu creio que no mato eles não estão mais. Alguém levou eles daqui. Agora sabe-se lá quem que fez isso”, desabafou a avó.

Enquanto as investigações seguem sem conclusão, a família vive entre a dor da incerteza e a esperança de reencontro.

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