Um empresário afirma ter sido confundido durante uma abordagem da Polícia Militar em seu estabelecimento, no bairro Porto Alegre, na zona Sul de Teresina. O caso aconteceu na noite de 29 de agosto de 2026 e ganhou repercussão nas redes sociais após vídeos da abordagem serem divulgados.
As imagens mostram policiais militares tentando imobilizar o empresário, que resiste à abordagem. Diante da repercussão, a Polícia Militar do Piauí comunicou o caso à Corregedoria, que deverá instaurar procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência e a conduta dos agentes envolvidos.

Esposa afirma que marido foi confundido
Nas redes sociais, a esposa do empresário, Daniele Inácio, relatou que tudo começou após uma briga em um bar localizado ao lado do estabelecimento do casal. Segundo ela, a proprietária do bar acionou a Polícia Militar.
Daniele afirma que os policiais chegaram ao local com dois homens já detidos e, posteriormente, abordaram seu marido. Segundo o relato, os agentes teriam informado que o terceiro envolvido havia sido descrito como um homem “alto e moreno”.
De acordo com a esposa, o empresário estava na porta do próprio estabelecimento e não teria participado da confusão.
Ela afirma que o marido questionou a prisão por não entender o motivo da abordagem e acabou resistindo à condução.
“Meu esposo estava na porta do estabelecimento quando eles já chegaram dizendo que ele iria ser autuado por estar agredindo e bagunçando no bar alheio. Nós não entendemos, porque ele é proprietário e entregador da loja e ele não saiu”, relatou.
Ainda segundo Daniele, os filhos do casal presenciaram a abordagem, que ela classificou como abusiva e agressiva.
“Foi muita humilhação na frente dos meus filhos, no lugar que eu passei seis anos para construir, por uma injustiça. A gente não tinha nada a ver”, afirmou.
O empresário foi conduzido à Central de Flagrantes de Teresina.
Segundo a esposa, já na Central, a mulher que havia denunciado a ocorrência teria informado aos policiais que o empresário não era a pessoa envolvida na confusão.
PM apresenta outra versão
Em nota, o 17º Batalhão da Polícia Militar (17º BPM) apresentou uma versão diferente para o caso.
Segundo o batalhão, a ocorrência teve início após uma moradora procurar a sede da unidade relatando que três indivíduos teriam invadido sua residência, feito ameaças e que um deles teria agredido sua filha, uma criança de um ano.
Uma equipe foi enviada ao endereço e localizou dois dos suspeitos. Conforme o registro policial, eles teriam desacatado e resistido à abordagem, sendo necessário o uso de força física e algemas.
Os policiais, então, iniciaram buscas pelo terceiro envolvido. Nas proximidades de um estabelecimento no bairro Porto Alegre, a equipe teria localizado um homem que correspondia às características repassadas e iniciado a abordagem.
Ainda segundo o 17º BPM, outras duas pessoas teriam interferido na ação policial, dificultando a abordagem. Com isso, o homem que era procurado teria conseguido fugir.
O batalhão esclareceu que o empresário citado nas redes sociais não seria o terceiro envolvido procurado pela equipe.
De acordo com a versão oficial, a condução do empresário ocorreu porque ele teria interferido diretamente na abordagem, desacatado e resistido à atuação dos policiais, juntamente com outro homem.
Ao todo, segundo o 17º BPM, quatro pessoas foram conduzidas à Central de Flagrantes, onde foram apresentadas à autoridade policial.
Corregedoria vai investigar
A Polícia Militar do Piauí informou que tomou conhecimento da ocorrência após a circulação das imagens nas redes sociais e que o caso foi encaminhado à Corregedoria da instituição.
A PMPI afirmou que não compactua com eventuais condutas que estejam em desacordo com a legislação e os protocolos institucionais. Caso sejam identificadas irregularidades, os responsáveis poderão ser submetidos às medidas cabíveis.
O 17º BPM também destacou que vídeos divulgados nas redes sociais podem mostrar apenas momentos isolados da ocorrência, sem necessariamente apresentar os acontecimentos que antecederam as imagens.
O caso deverá ser esclarecido a partir da apuração da Corregedoria e dos demais procedimentos legais.
Nota da Polícia Militar do Piauí
A PMPI reafirmou, em seu comunicado, o compromisso com a legalidade, transparência e correta atuação policial, ressaltando que eventuais desvios de conduta serão apurados conforme a legislação.
Nota do 17º BPM
O batalhão sustentou que a prisão do empresário não ocorreu por ele ser proprietário de um estabelecimento ou por simplesmente estar no local. Segundo a unidade, a condução aconteceu em razão de uma suposta intervenção na ação policial, desacato e resistência durante a tentativa de abordagem do terceiro envolvido na ocorrência inicial.
As duas versões permanecem sob apuração pelas autoridades competentes.