A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta para a possibilidade de o fenômeno climático El Niño persistir até fevereiro de 2027. Segundo a secretária-geral da entidade, Celeste Saulo, o fenômeno está se intensificando e poderá estar entre os mais fortes registrados desde 1950.
A previsão indica que o El Niño poderá atingir seu pico em dezembro de 2026, contribuindo para temperaturas acima da média em diversas regiões do planeta e provocando alterações nos padrões de chuva.
No Brasil, os efeitos podem variar de acordo com a região. No Maranhão, um dos principais pontos de atenção é a possibilidade de períodos mais quentes e de irregularidade nas precipitações, com potenciais impactos sobre a agricultura, os recursos hídricos e o meio ambiente.

Temperaturas dos oceanos podem atingir níveis elevados
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico tropical, especialmente nas regiões central e oriental. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e influencia o clima em diferentes partes do mundo.
De acordo com os dados citados no alerta da OMM, o aquecimento das águas do Pacífico chegou a 1,6 °C acima da média em julho e a 2,5 °C em agosto. As projeções mencionadas apontam a possibilidade de os valores alcançarem 3,7 °C acima do normal.
Durante o Fórum Global de Calor, em Bangkok, Celeste Saulo explicou que episódios intensos de El Niño podem contribuir para a elevação das temperaturas médias globais, favorecendo a liberação de calor armazenado nos oceanos.
As previsões são elaboradas com base em análises de centros internacionais especializados, que utilizam dados de boias oceânicas, satélites e radiossondas para acompanhar as condições climáticas.
Como o El Niño pode afetar o Maranhão?
No Maranhão, os possíveis efeitos do fenômeno incluem aumento das temperaturas e mudanças na distribuição das chuvas. No entanto, as consequências podem variar entre as diferentes regiões do estado.
No sul maranhense, onde a agricultura tem forte presença econômica, a irregularidade das precipitações pode preocupar produtores rurais, especialmente durante os períodos de plantio e desenvolvimento das lavouras.
Em municípios do sertão maranhense, como São João dos Patos, a atenção também se volta para a ocorrência de períodos prolongados sem chuva, que podem afetar a disponibilidade de água e as atividades agropecuárias.
Entre os principais impactos que merecem acompanhamento estão:
- Calor mais intenso: temperaturas elevadas podem aumentar o desconforto térmico e a demanda por água.
- Chuvas irregulares: períodos de estiagem podem se alternar com episódios de precipitação, dependendo das condições atmosféricas.
- Prejuízos à agricultura: a falta de chuva no momento adequado pode comprometer o desenvolvimento das lavouras.
- Risco de queimadas: a combinação de calor e vegetação seca pode favorecer a propagação do fogo.
Especialistas ressaltam que o El Niño não provoca os mesmos efeitos em todas as localidades. As condições do Oceano Atlântico e outros sistemas meteorológicos também influenciam o regime de chuvas no Maranhão.
Fenômeno pode influenciar o clima mundial
O El Niño é um fenômeno natural que altera temporariamente a distribuição de calor e umidade na atmosfera. Em episódios intensos, pode contribuir para ondas de calor, mudanças nos padrões de precipitação e impactos na agricultura e nos recursos hídricos.
A possibilidade de persistência do fenômeno até fevereiro de 2027 reforça a importância do monitoramento climático nos próximos meses.
No Maranhão, a evolução das condições meteorológicas será fundamental para avaliar se haverá redução significativa das chuvas ou períodos de calor mais intenso. A confirmação desses impactos dependerá das atualizações das previsões dos órgãos meteorológicos.
A população pode acompanhar os boletins e alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para obter informações atualizadas sobre as condições do tempo e as previsões para o estado.