Quatro policiais militares foram afastados de suas funções após atenderem a uma ocorrência de agressão envolvendo a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e uma empregada doméstica grávida, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. A decisão foi confirmada pela Polícia Civil do Maranhão e ocorre após a divulgação de áudios que levantam suspeitas de favorecimento.
Nas gravações, atribuídas à empresária e já anexadas ao inquérito, Carolina afirma que não foi presa em flagrante por ser conhecida de um dos policiais que atenderam a ocorrência. Em um dos trechos, ela relata que o agente teria interferido na condução do caso, mesmo diante da gravidade das lesões apresentadas pela vítima.


“Parou uma viatura aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? Aí ele disse que, se não fosse ele, teria que me levar para a delegacia, porque ela estava cheia de hematomas”, diz a empresária em um dos áudios.
De acordo com o próprio relato, o policial teria reconhecido que o procedimento correto seria encaminhar a suspeita imediatamente à delegacia, o que não ocorreu.
Áudios detalham violência contra vítima
O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de outros trechos das gravações, nos quais a empresária descreve, em detalhes, as agressões cometidas contra a doméstica, uma jovem de 19 anos, grávida de cinco meses.
Segundo os áudios, a vítima teria sido submetida a uma série de violências físicas e psicológicas, incluindo ameaças com arma de fogo, puxões de cabelo, tapas, socos e até pisões nos dedos. Em uma das falas mais graves, a empresária afirma que a vítima “não era para ter saído viva”.
As gravações reforçam as investigações em curso e ampliam a pressão por responsabilização dos envolvidos.
Pedido de prisão preventiva
Diante da gravidade do caso, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Maranhão informou que irá solicitar a prisão preventiva da empresária.
Segundo o advogado Erik Emanoel Silva Moraes, foi elaborado um relatório detalhando a situação jurídica da acusada, que deverá ser protocolado na 21ª Delegacia de Polícia do Aracagy, responsável pela investigação.
O documento reúne informações sobre processos anteriores em que a empresária figura como ré e aponta elementos que, segundo a defesa dos direitos humanos, justificam a medida cautelar.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil segue apurando tanto as agressões quanto a possível conduta irregular dos policiais envolvidos. O afastamento dos agentes é considerado uma medida inicial enquanto os fatos são analisados.
O caso gerou forte repercussão e levanta questionamentos sobre abuso de poder, violência doméstica e a atuação das forças de segurança diante de situações de flagrante delito.